Tsukasa Kaito

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Hoje, dia 20 de maio, é o dia que a Kaito Instrumentos Musicais nasceu, na época chamada VIOLÃO KAITO, idealizado pelo casal Akiko e Tsukasa Kaito.

Vamos contar um pouco da história de Tsukasa Kaito que este ano completa 30 anos de empresa, 50 anos de Brasil e 75 anos de uma vida cheia de vida!

Olá, meu nome é TSUKASA KAITO, nascido dia 26.07.1947 na província de Yamagata, no Japão.
Quando eu tinha uns 5, 6 anos, gostava muito dos grupos de artistas que vinham visitar os vilarejos tocando taiko, shamisen, para alegrar a vizinhança.
Então, eu pegava as caixas de laranja, panelas e qualquer coisa que produzisse som e imaginando estar tocando taiko, saia me “apresentando”, para os vizinhos, que me incentivavam dando balas, convidando para almoçar…ahahaha era muito divertido.
Uma das minhas maiores inspirações foi o meu tio Kaito Tootaro. Ele era músico profissional e tocava acordeon. Nessa época, a NHK (emissora de TV) chegou até a fazer reportagens com ele, o que nos deixava muito orgulhosos.
Quando completei 10 anos, comprei meu primeiro instrumento musical: uma gaita e toquei numa apresentação da escola. Lembro que na escola tinha um piano e era proibido mexer, mas eu sempre dava um jeitinho para ficar lá tocando um pouquinho…rs
Um momento divertido dessa época foi em um undokai (gincana familiar esportiva). Um dos desafios da competição era se fantasiar de alguma coisa. Em todos os anos, a maioria escolhia fantasia de lutador de sumô, de algum personagem famoso… e eu tive uma ideia: juntar os amigos e montar uma fanfarra!
Como ninguém tinha instrumentos musicais, utilizamos o que estava acessível: bacias, panelas, latas e etc… E eu fui o maestro e foi um sucesso! No fim da apresentação todos instrumentos estavam quebrados hahahahahaha
Foi brincando e muitas vezes improvisando que fui tomando gosto pela música.

Eu não tive aula de música na escola quando era criança, mas ao entrar para o colégio, precisei mudar de escola e nessa nova escola tinha aula de música. Havia uma fanfarra e cerca de 25 a 30 instrumentos que foram doadas por uma empresa de móveis da cidade.
No Japão existe uma certa hierarquia para as coisas, de modo que no 1º ano do colegial eu podia apenas virar as páginas da partitura para os alunos do 2º colegial, limpar seus instrumentos e só podia tocar após o término dos seus treinos que já era bem tarde.
Parece bobagem, mas vejo que era um método de ensino para os novatos aprenderem a ler partituras, respeitar os mais velhos e aprender com eles. É comum os mais velhos ensinarem aos mais novos.
Assim que cheguei ao 2º colegial, também não foi fácil, as vagas para a aula de música eram limitadas e lembro que só haviam 5 disponíveis. Foi uma alegria conquistar uma dessas vagas.
A moda na época eram os Beatles… nos vestíamos como eles e tocávamos as músicas deles. Cheguei a montar uma banda com mais 4 amigos. Ora eu servia de maestro, ora fazia a guitarra base ahahaha. Essa banda durou cerca de 6 anos mais ou menos.

Ao completar o colegial, no Japão, muitas empresas e fábricas enviam recrutadores para fazer entrevistas com os alunos, com possibilidades de contratações.
Lembro que havia uma vaga disponível para trabalhar na fábrica da Yamaha e isso me interessou muito, mas por conta das minhas notas e desempenho escolar informaram que não seria possível ahahahaha.
Sem saber muito o que escolher e querendo algo relacionado à música, vi que havia uma fábrica chamada Nortres que fazia caixa de som com revestimento de madeira e me candidatei para essa vaga!
Fui aprovado e estava muito entusiasmado achando que iria fabricar caixas de som. Porém, percebi que fazíamos apenas o revestimento de madeira ahahahahaha a caixa de som em si era outra empresa que fabricava.

Apesar disso, permaneci nessa fábrica e com 24 anos, recebi uma proposta de emprego para trabalhar em uma sede no Brasil.

A fábrica seria construída na cidade de Taubaté, mas enquanto a construção ainda não estava completa, ora eu precisava trabalhar na cidade de São Paulo (Santo Amaro) e ora em Salvador (Bahia), ficava revezando entre as duas cidades.
Lá em Salvador é onde guardo as melhores recordações da minha juventude. Clima tropical, pessoas alegres e espirituosas, a sensação de liberdade preenchia meus dias. Nada mal para quem acabara de chegar de um país tão diferente.

Fiz boas amizades e guardo com muita emoção esses momentos que vivi na Bahia desde que a minha chegada ao Brasil.

Em meados de 1974 (2 anos depois de chegar ao Brasil) a fábrica em Taubaté ficou pronta e me mudei para cá. Novos desafios tive que enfrentar… quase não falava a língua portuguesa e não conhecia ninguém que não fosse da fábrica.

Semanalmente, eu ia ao mercado de Taubaté fazer compras, a dona da banca falava japonês e já sabia o que eu gostava de comprar, então já deixava minhas sacolas separadas.

Não imaginava que aquela jovem moça, tão dedicada e batalhadora, seria minha grande parceira de aventuras e apoiadora das minhas loucuras.

Em 1981 nos casamos e logo em seguida nascia nosso primeiro filho Cláudio Ippey. Anos depois, nascia a Cintia Kiyo e o César Yoohey, completando a família que temos hoje.

Com 41 anos de idade, tomei uma difícil decisão: sair da fábrica em que trabalhava. Nesse tempo, a nossa principal fonte de renda era a nossa banca de verduras no mercado municipal de Taubaté, que inclusive temos até hoje, com o nome de Banca da Akiko (minha esposa) e eu também trabalhava como marceneiro produzindo guarda-roupas, móveis em geral.

Com a marcenaria e com o trabalho do mercado da minha esposa, consegui realizar o sonho de fazer um curso de luthieria com o renomado professor Suguiyama que na época produzia os violões para grandes nomes do cenário musical como o músico João Bosco. Lembro que, ao todo, fiz 40 violões.

Um dia, numa conversa, minha esposa falou: Vamos abrir uma loja! Fiquei surpreso e perguntei, do que seria e ela: já sei até o nome! VIOLÃO KAITO!
Pra mim, sempre foi um sonho, mas não tinha coragem já que nunca tinha trabalhado como empreendedor, mas na empolgação, começamos a procurar um ponto.
Kaito (esquerda) e Suguiyama
Em frente ao mercado municipal ela encontrou um pequeno ponto fechado e decidiu perguntar para a vizinha, mas ela disse que não seria possível porque era da irmã e ela não queria locar.

De repente, durante de um dia intenso de trabalho, minha esposa avistou uma plaquinha de “aluga-se” neste exato ponto comercial e ela me chamou aos prantos, empolgada me pedindo para pegar uma caixa de tomate para poder subir e arrancar aquela placa convicta de que aquele ponto seria da gente ahahahaha.

Foi assim que no ano de 1992, abrimos uma pequena loja de instrumentos musicais na rua do mercado. Tinha apenas 50 metros quadrados. E comecei com apenas 3 violões: um fabricado por mim e dois comprados na Breganha.
Ficamos nesse pequeno ponto comercial até o ano de 1997.

Como passávamos pela rua Dr. Jorge Winther para ir embora todos os dias para nossa casa, um dia vimos uma casa bem velha, porém espaçosa à venda.

Minha esposa ligou para saber o preço, já com um pé atrás porque sabia que não seria possível comprar e de fato estava bem acima do orçamento. Mas antes de desligar o telefone, a proprietária pediu para esperar um pouco e fez uma proposta irrecusável e foi!

Tivemos que demolir a casa inteira, que era construída em barro e já estava deteriorada e pouco a pouco conseguimos construir uma loja de instrumentos musicais e escola de música no ano de 1998.

Porém, um fato daqueles que acontecem despretensiosamente em nossas vidas, mas que mudam todo nosso percurso: quando a loja ainda era na rua do mercado, naqueles 55 metros quadrados, certa vez uma senhora levou um instrumento japonês para que eu consertasse.
Era um shamisen.

Apesar de já ter visto o shamisen, eu nunca havia tocado ou arrumado, sequer sabia como afinar, por essa razão fiz tudo errado e fiquei com muita vergonha.

Com 47 anos decidi estudar shamisen com o mesmo professor da senhora que levou o instrumento para que eu arrumasse. Ele vinha de São Paulo toda semana.

Tudo o que eu aprendia eu ensinava para os meus filhos: Ippey e Kiyo que na época também chegaram a fazer aulas com esse professor e o caçula Yoohey acompanhava tocando taiko.

Também achei importante que eles aprendessem outros instrumentos… Matriculei o Ippey nas aulas de violão com o professor Jaris. A Kiyo aprendeu a tocar piano na escola Hipersense e o Yoohey fez aulas de bateria com o prof. Toninho.

Yoohey @yoohey.kaito

Kiyo @kiyo.kaito Claudio Ippey – primogênito

Meus filhos cresceram neste ambiente e hoje me sinto feliz em poder vê-los dando continuidade neste trabalho que iniciei com a minha esposa e agora vendo até os meus netos crescerem neste mesmo ambiente musical. Agradeço a todos os amigos, parceiros, clientes, alunos por poder comemorar os 30 anos de empresa Kaito, 50 anos de Brasil e logo mais 75 anos de vida!

Fernanda e Naru – nora e neto

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Faz 50 anos que aquele jovem sonhador tomou uma decisão que mudaria a sua vida para sempre: a de não voltar para seu país de origem e construir uma nova vida aqui no Brasil.

Isso nos permite uma grande reflexão:
Quantas histórias cabem dentro de uma vida, não é mesmo?

Talvez se a gente conhecesse um pouco mais das histórias das pessoas, o mundo pudesse ser melhor e mais acolhedor.

Afinal de contas, ou somos frutos daqueles que passaram ou seremos raízes daqueles que virão. Pois, é como dizem: a vida vive-se em dias, mas seu sentido é apresentado em anos.

Um brinde aos 50 anos da vinda desse homem tão único e atemporal chamado Tsukasa Kaito.
Ele que brinca com o tempo e muitas vezes chega a desafiá-lo, pois sempre se mostrou à frente de sua época.

Muita coisa mudou desde a vinda daquele jovem estrangeiro… Coisa essa que talvez nem ele soubesse exatamente o que seria.

É… os anos sabem coisas que os dias desconhecem…
E o passar desses anos foi tornando cada vez mais claro o seu propósito, aquilo em que ele acreditava e que estava apenas em seu coração.

A nós, só nos resta agradecer a oportunidade (e a sorte) de vivermos esses sonhos e essas conquistas juntos. De podermos participar e compartilhar dessas histórias. Afinal, somos um emaranhado de histórias que se cruzam e que se somam nessa linda jornada chamada Vida…

Arigatou Tsukasa Kaito!
Ass: Família Kaito.

#kaito30anos #kaitomusica
Fotos por: @jukaferr

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